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  • de Danielly Silva Ramos Becard1 edio: 2008

    Direitos reservados desta edio:Fundao Alexandre de Gusmo

    Capa: Carla M. LuzzattoReviso: Danielly Silva Ramos BecardEditorao eletrnica: Fernando Piccinini Schmitt

    Danielly Silva Ramos BecardPossui doutorado em Relaes Internacionais pela Universidade de Braslia (2006), mes-trado em Cincia Poltica Governo Comparado pela Universidade de Paris 1 Panthon-Sorbonne (1994) e graduao em Relaes Internacionais pela Universidade de Braslia (1992). Atualmente professora do curso de graduao em Relaes Internacionais e do curso de mestrado em Direito, Relaes Internacionais e Desenvolvimento da Universidade Catlica de Gois.

    B388b Becard, Danielly Silva RamosO Brasil e a Repblica Popular da China: poltica externa comparada e

    relaes bilaterais (1974-2004) / Danielly Silva Ramos Becard. Braslia : FUNAG, 2008.

    330p.

    1. Relaes internacionais Poltica externa Brasil Repblica Popular da China. I. Ttulo.

    CDU 327(81:510)1974-2004

    Catalogao na publicao: Mnica Ballejo Canto CRB 10/1023

    ISBN 978-85-7631-110-2

    Ncleo de Estratgia e Relaes Internacionais(www.ilea.ufrgs.br/nerint; [email protected])

    O NERINT foi fundado em 1999 como Grupo de Pesquisa Interdisciplinar junto ao Instituto Latino-Americano de Estudos Avanados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, visando estudar o reordenamento mundial ps-Guerra Fria e contribuir para a retomada da discusso sobre um projeto nacional para o Brasil, no plano da anlise das opes estratgi-cas para a insero internacional do pais, repensando o tema a partir da perspectiva do mundo em desenvolvimento. Atualmente suas linhas de pesquisa abordam a Cooperao Sul-Sul, os processos de integrao da Amrica do Sul, da frica Austral e da sia Meridional e Oriental, nos campos da segurana, da diplomacia e da economia. O NERINT sedia o Centro de Estudos Brasil-frica do Sul (CESUL) e est associado ao Instituto Brasileiro de Estudos sobre China e sia-Pacfico (IBECAP-RJ) e co-patrocinou a publicao dessa obra.

    Pesquisadores da UFRGS:Luiz Dario Ribeiro, Coordenador GeralPaulo Fagundes Visentini, Coordenador EditorialMarco Aurlio Cepik, Carlos Schmidt Arturi, Andr Cunha, lvaro Heidrich

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  • Para Philippe

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  • Apresentao

    Amado Luiz Cervo

    San Tiago Dantas definiu o Brasil como um pas que busca o desenvol-vimento. Ao estudar a China, Danielly Silva Ramos bem poderia t-la defi-nido com os mesmos termos. Com efeito, foi nesse curso profundo de pases em desenvolvimento que ambos se encontraram, desde o estabelecimento de relaes diplomticas em 1974, e construram uma parceria bilateral, feita de entendimento e cooperao, que alcana o presente.

    Em nossa literatura especializada, carecemos de estudos comparados como esse, em que modelos asiticos de desenvolvimento sejam aproxi-mados experincia brasileira e os parmetros avaliados com o fim de examinar resultados. No caso da China, o estudo ganha especial interesse pelo fato de as relaes bilaterais haverem-se imbricado nos processos histricos nacionais.

    China e Brasil coincidiram historicamente, havendo ambos acoplado seu destino a um projeto nacional, conduzido em fases, porm com raciona-lidade e continuidade. Esse elemento comum submeteu a si a organizao interna, a poltica exterior e a insero internacional. Trs linhas de fora dos respectivos projetos nacionais nortearam os dirigentes e as sociedades na realizao dos objetivos do desenvolvimento. Duas so comuns: implementar o processo mais autnomo possvel e aberto cooperao internacional, isto , pacifista, no confrontacionista. Separaram-se na terceira frente de ao, em razo dos contextos regionais: a China agregou a seu projeto nacional a construo da potncia estratgica, ao passo que o Brasil abdicou dos meios modernos de dissuaso e defesa.

    Frente globalizao, tendncia hegemnica das relaes interna-cionais nas ltimas trs dcadas, ambos os pases reagiram de modo seme-lhante. Durante a fase inicial dos anos noventa do sculo XX, enquanto o Brasil e seus vizinhos da Amrica do Sul adotavam a abertura ilimitada e incondicional sob o signo neoliberal, a China persistiu na conduta logs-tica, em que ao Estado nacional se confiava a conduo do processo, no aos conselhos do centro do capitalismo. Na conduta logstica, contudo, encontrar-se-iam Brasil e China logo depois: uma abertura do mercado e

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  • dos sistemas produtivos e de servio dosada pela capacidade de adaptao interna competio global.

    O cerne ideolgico desse padro de conduta repousa sobre elemento comum, que identifica, a bem do interesse nacional, Brasil e China: a defesa intransigente da vocao industrial. Esta considerada pelos dirigentes de ambos os lados o bem supremo a preservar. Vez que dela, sobretudo, depende o interno, ou seja, o nvel de emprego, de renda e de consumo, de progresso tecnolgico, de produtividade e de produo, de organizao empresarial. Em suma, o bem-estar, o nvel de desenvolvimento em sua maturidade, nvel alcanado por Europa, Japo e Estados Unidos. Avocao industrial a preservar coloca na mesma luta pases emergentes frente a pases centrais, voltados manuteno de regras e regimes multilaterais que perpetuem velhas assimetrias estruturais entre norte e sul.

    Derivado dessa viso comum de mundo e do prprio destino, outro parmetro de conduta frente globalizao aproxima Brasil e China: a internacionalizao dos empreendimentos. Pases de grande porte, os dois assimilaram correto pensamento poltico segundo o qual no h interde-pendncia real sem expanso para fora dos negcios e empresas de matriz nacional. Essa vertente de conduta apresenta dimenso global que se derrama sobre a relao bilateral, uma vez que ambos dispem de empreendimentos de envergadura comparveis aos maiores do mundo.

    O estudo de Danielly Silva Ramos, com o qual obteve o doutorado em Relaes Internacionais junto Universidade de Braslia, lida com esse curso profundo das relaes internacionais e bilaterais de Brasil e China. No mbito bilateral, as convergncias so evidenciadas em seu estudo, como o dilogo mantido entre os dirigentes h mais de trs dcadas, o estabeleci-mento de uma cooperao concreta, porm insuficiente, a ampliao social dessa cooperao com envolvimento crescente de agentes de ambos os lados, uma incipiente tentativa de cooperao cientfica e tecnolgica avanada, a associao de empresas; em suma, o retilneo esforo no sentido de arrancar as relaes bilaterais da condio em desenvolvimento e projet-las condio de pases maduros.

    O flego dessas relaes, nas ltimas dcadas, deixa perceber trs movimentos: nos anos 1970, a desideologizao das polticas exteriores que se tornam mais pragmticas e do impulso inicial a relao bilateral positiva; nos anos 1980, arrefecimento geral em razo de dificuldades internas; nos anos 1990, Fernando Henrique Cardoso, e, no sculo XXI, Luiz Incio Lula da Silva, investem no bilateral e agregam elementos parceria, denominada de estratgica por ambos os governos, parceria essa que busca ainda ser pr-ativa, como outras que a China mantm no presente.

    Em nenhuma dessas fases, contudo, percebe-se a prevalncia de estrat-gia bilateral de longo curso, como aquela que impregnou a parceria histrica entre Brasil e Estados Unidos com resultados determinantes para a formao nacional. Dois fatores dificultam a pavimentao da avenida entre Brasil e China: a escassez de conhecimento mtuo e a ausncia de planejamento de longo prazo. Ambos os pases, desde a globalizao, dispersam suas foras

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  • para quadrantes diversos do globo, sem medir o alcance e controlar o peso relativo do bilateral nesse contexto. Essa nvoa de fundo necessita ser dissi-pada para se avanar no trabalho empreendido h dcadas pelos governos e suas diplomacias, pelas sociedades e seus agentes econmicos.

    A avenida j foi desbravada. As relaes bilaterais adquiriram impulso com a troca de visitas dos chefes de Estado em 2004, Lula e Hu Jintao, que viajaram acompanhados de grandes comitivas de empresrios. Nesse ano esta-belecia-se a denominada parceria estratgica entre os dois pases, firmando-se acordos de nova gerao e criando-se mecanismos de ao bilateral.

    Apesar disso, o Conselho Empresarial Brasil-China, que acompanha de perto a evoluo das relaes bilaterais, avalia as mesmas no presente com certo temor: penetrao de apenas alguns poucos produtos primrios brasileiros no mercado chins, exceto os avies da Embraer, e dificuldades de penetrao de empresas chinesas no Brasil, em razo de exigncias trabalhistas, ambientais, tributrias e burocrticas. O desconhecimento da realidade empresarial do outro e a falta de interesse brasileiro os Estados Unidos mantm mais de mil funcionrios em sua representao na China so dois fatores de obstruo de avanos rpidos da parceria que convm tornar pr-ativa.

    Quando desponta 2008, a China supera a Argentina como segundo consumidor externo de produtos brasileiros. Suas exportaes para o Brasil em bens de capital e matrias-primas favorecem a expanso da indstria. O comrcio bilateral fechou 2007 acima dos vinte e trs bilhes de dlares, podendo atingir os trinta bilhes em 2008, uma meta que se presumia alcanar apenas em 2010.

    No mesmo despontar de 2008, a China supera os Estados Unidos em exportaes de produtos de alta tecnologia, alcanando o primeiro lugar no mundo, enquanto o Brasil ocupa a vigsima nona posio nesse ranking. O drago asitico sepultou no passado a imagem de e