carpe diem revista cultural

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CARPE DIEM CARPE DIEM REVISTA CULTURAL REVISTA CULTURAL Revista dos alunos da Fundação Torino - Número IX - Fevereiro, 2010 - Distribuição gratuita
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    07-Jan-2017
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  • CARPE DIEM

    CARPE DIEMREVISTA CULTURALREVISTA CULTURAL

    Revista dos alunos da Fundao Torino - Nmero IX - Fevereiro, 2010 - Distribuio gratuita

  • impossibile non tuffarsi e perscrutare questa edizione specialissima della rivista Carpe Diem in cui la nostra equipe ci parla dellACQUA!

    Come insegnante di biologia mi viene naturale ricordare che lacqua domina lo scenario attuale della superficie terrestre, occupandone pi dei

    due terzi, oltre a costituire circa il 60% del corpo umano adulto (percentuali maggiori si riscontrano in et inferiori), una quota molto

    elevata che ci ricorda quanto lacqua sia importante nel nostro organismo, dove svolge numerose funzioni. Infatti, fondamentale nella regolazione

    del volume cellulare e della temperatura corporea e costituisce il mezzo di trasporto dei nutrienti e delle scorie metaboliche durante il processo di

    eliminazione di queste ultime. Ma Questa non una lezione! un caloroso invito a soffermarvi e a contemplare in questa edizione la bellezza della citt di Venezia, un miracolo sullacqua o a capire la dinamica delle risorse idriche attraverso unintervista fantastica allo

    specialista Marcelo Libneo. Rinfrescatevi le idee conoscendo il progetto Manuelzo e sicuramente la lettura di queste pagine vi porter a riscoprire

    limportanza dellacqua come un qualcosa estremamente semplice, ma meravigliosamente prezioso.

    In questo numero lidratazione assicurata! Buona lettura a tutti!

    Chiara AlgisiProfessora de Biologia

    Editoriale

    arte

    : Alexa

    ndre

    Fonseca

  • Ol, jovens,

    Na sexta-feira (18/12/09) fiquei surpresa ao me deparar com uma correspondncia com destinatrio: Corine Kyo Iwamura.

    Obviamente a surpresa foi maior quando vi que se tratava da revista que a Amanda havia dito que mandaria. Mais agradvel ainda foi ver as mensagens deixadas na capa e o autgrafo da Fernanda Takai. Quase chorei (t, no, mas foi ultra legal).

    Mando o email para agradecer tudo e elogiar o trabalho que vocs fazem! Ainda que no entenda muito bem os textos em italiano, a revista demais!

    Obrigada e continuem com essa mentalidade incrvel!

    Abraos,

    Corine Kyo Iwamura

    Essa uma revista pra gente ler devagarzinho, talvez deitado na cama, ou sentado na grama, ou quem sabe na mesa de um bar. Pode comear pela poesia, passar para a entrevista, voltar para outro verso, deslizar ento pelos filmes, deliciar-se com o perfil de algum e depois franzir a testa, concentrado, para conhecer uma opinio sobre um tema interessante. Bonita essa mistura de aluno e professor, Italiano e Portugus, resenhas e estudos, leveza e seriedade. uma revista que s vezes parece um jornal, um jornal que me fez lembrar um almanaque, um almanaque que tem alguma coisa de livro. Num tempo em que a moda o efmero, o virtual, importante que ela continue; e que, por mais que mude, mantenha-se sempre como :

    bonita, inteligente, desinquieta, surpreendente, e escrita no bom e velho papel, pra que a gente possa pegar, cheirar, virar as pginas, e ento levar para a cama, ou para a grama, ou quem sabe para a mesa de um bar.

    Marcio Tlio Viana - professor nas Faculdades de

    Direito da UFMG e da PUC-Minas

    Agradecemos ao carinho e ao apoio dos leitores!

    Equipe Carpe Diem

    33CARPE DIEM

    Cartas 3Pelo Mundo 4Entrevista 5Clinamen 8Opinio 14Poesias 16Perfil 18

    Biografia 20Etimologia 21

    Carpe Noctem 21Recomenda 22

    Tirinha 24Passatempo 25

    Seo Curinga 26Plunkt Plakt

    Zum 27

    Envie sua crtica, sugesto, desenhos, textos ou comentrios:

    [email protected]

    Cartas

    Index

  • 4

    Pelo Mundo

    CARPE DIEM4

    H mais de 1500 anos comearam as primeiras ocupaes no territrio que ento viraria a grande repblica martima do mar Adritico: La Serenissima. Segundo a tradio, Veneza foi fundada em 25 de maro de 421 d.C., quando povos vnetos fugiram de suas cidades invadidas pelos brbaros para se refugiarem na futura Veneza, uma pennsula at ento habitada somente por pobres pescadores.

    Da em diante passaram-se os anos e a Repubblica della Serenissima cresceu, sempre em funo da sua particular condio geogrfica, expandiu seus territrios, virou uma grande potncia martima, conquistou terras e se tornou um dos maiores centros culturais (artstico, cientifico e literrio) da Europa. Protegida dos inimigos pelo seu territrio de acesso restrito s naves e de gua baixa, que favorecia o encalhe, Veneza conquistou territrios que iam do Veneto, Friuli, Bresciano, Bergamasco at as portas de Milo, e dominou grande parte da costa do Adritico, alm de manter um lucrativo comrcio com o oriente. Quando falamos da Repubblica Serenissma, no podemos deixar de citar nomes como o grande explorador do oriente Marco Plo, os pintores e escultores Carpaccio, Canova, Giovanni Bellini, Tintoretto, Tiziano, Giorgione, Giovan Battista Tiepolo, Paolo Veronese, o compositor Antonio Vivaldi, os dramaturgos Carlo Goldoni e Carlo Gozzi, o escritor, famoso pelas suas a v e n t u r a s , Casanova , e muitos outros que fizeram parte da histria dessa cidade e que eternizaram as suas glrias passadas. Tudo isso acabou com a c h e g a d a d e

    Napoleo, que com seu e x r c i t o e o Tratado de Campofrmio p r e s e n t e o u a ustria com essa milenar cidade. Foi assim que em 1797 cai a S e r e n s s im a . somente em 1866 que Veneza passa a fazer parte do Reino da Itlia. Foi, ento, que Veneza comeou a se transformar na

    cidade que

    conhecemos hoje: uma cidade que respira histria, com seus palcios e igrejas e seu misterioso romantismo. Sua renda principal dada pelo turismo (de caros hotis e restaurantes, a gondoleiros e inmeras lojinhas que vendem todo tipo de souvenir). So 18 milhes de turistas por ano segundo uma crnica do jornal La Repubblica e somente 70000 residentes fixos na cidade histrica. Talvez por isso seja difcil imaginar que algum possa morar nessa cidade.

    Efetivamente a vida dos habitantes de Veneza diferente. Para comear, o bvio: no existem carros. O meio de transporte mais usado so os ps. As ruas so feitas de gua (os chamados canale) tornando os barcos o segundo meio de transporte mais utilizado. Como nem todos podem se permitir ter um barco (e mais difcil ainda um lugar onde mant-lo estacionado) existem os transportes pblicos aquticos, os vaporetti ou como os venezianos carinhosamente o chamam: el bateo. O fato de se caminhar sempre ou utilizar o transporte pblico faz de Veneza uma cidade muito humana, pois comum encontrar amigos e conhecidos pelas ruas e assim parar para trocar novidades. Alm disso, como tudo aquilo que voc compra ou precisa carregar necessariamente ser levado nos braos, os venezianos acabam aprendendo a medir a suas prprias foras, trazendo s o essencial para casa. Nesse sentido Veneza uma cidade muito mais medida do homem.

    Izabela LamegoIV Liceu

    Da Repblica Serenssima Veneza de agora

    arte: www.deviantart.com/ktjones

  • MarceloLibnio

    Entrevistamos Marcelo Libnio em sua sala na Escola de Engenharia da UFMG, onde leciona.

    Estvamos tensos, pois seria nossa primeira entrevista de carter mais tcnico nunca havamos entrevistado algum da rea de

    exatas. Ele, simptico, nos deixou confortveis com o bom papo. Graduado em Engenharia

    Civil, mestre em Engenharia Sanitria, doutor em Hidrulica e Saneamento e tem

    ps-doutorado pela Universidade de Alberta. Conversamos sobre gua, um tema que pode parecer banal mas s porque a temos em

    abundncia com um simples giro de torneira.

    R$ 50 milhes. A indstria da gua envolve muito dinheiro. Os gastos das concessionrias de abastecimento so basicamente com pagamento de funcionrios e com a energia eltrica.

    Como era a bacia hidrogrfica na regio de Belo Horizonte antes da urbanizao?

    Essa uma pergunta difcil de responder. Com a ocupao antrpica, houve uma deteriorao da qualidade da gua, causada pelo despejo das guas pluviais e pelos despejos humanos, tratados ou no. Os maiores danos foram causados pela impermeabilizao do solo. Na dcada de 50, por exemplo, se casse uma chuva na regio do Belvedere a gua seria retida pela

    melhores situaes entre as capitais brasileiras.

    E como funciona a distribuio?

    Atravs da integrao de vrios sistemas.

    A indstria da gua rentvel?

    No se sabe ao certo, mas possvel fazer uma suposio:A Grande Belo Horizonte tem, aproximadamente, 4 milhes e meio de pessoas. Vamos supor que em cada residncia morem 4,5 pessoas, ou seja, temos cerca de1 milho de residncias na regio metropolitana, todas consumindo gua. O valor mdio da conta de gua, na melhor das hipteses, de R$ 50: s aqui j so

    Quais so as principais fontes de abastecimento de gua da grande BH?

    So seis os grandes sistemas que abastecem Belo Horizonte, mas o maior de todos o Rio das Velhas. Eles fornecem entre 12 e 13m de gua por segundo, o suficiente para abastecer toda a populao da Nova Zelndia. Os moradores de Belo Horizonte muito raramente tm lembranas de falta de gua na cidade, j em Recife, por exemplo, falta gua frequentemente. Um caderno da Folha de So Paulo tem informaes sobre falta de gua quase todos os dias, em determinados bairros. Muitas cidades padecem com esse problema, ento podemos dizer que Belo Horizonte tem uma das

    55CARPE DIEM

    Entrevista

    Foto: Divulgao

  • Velhas e o So Francisco?

    Belo Horizonte abastecida pelo Rio das Velhas. Alm disso, os despejos tratados so jogados no Rio Arrudas, que afluente do Rio das Velhas. Belo Horizonte afeta tanto quanto qualquer grande cidade, mesmo tratando os esgotos s agora.

    No que se baseia o parmetro de consumo de gua em escala mundial? Existe algum tipo de padro?

    O principal parmetro de consumo de gua no dado pela temperatura, como muitos pensam, mas pela condio social e econmica. Quanto maior o poder aquisitivo de uma pessoa, maior o seu consumo.Pra se ter uma ideia, no Brasil a mdia de consumo per capta em 1999 era de 158 litros/pessoa/dia e de 149 em 2000, j nos Estados Unidos, este j era de 1261 em 1998 devido, sobretudo, ao grande nmero de indstrias no pas.

    Existe alguma forma vivel de reutilizar a gua dentro das residncias para diminuir o consumo e o desperdcio?

    Sim. J existem pesquisas a esse respeito. Alguns pases j fazem reutilizao das guas cinzas, que so as guas dos lavabos e dos chuveiros. As guas negras (vaso sanitrio e cozinha) no podem ser reutilizadas, essas vo direto para a rede coletora. H 2 anos estive na cidade de Singapura. No hotel em que fiquei, vi, pela primeira vez, uma conexo entre o lavabo e a caixa de descarga do vaso sanitrio. Singapura padece de escassez de gua. Aqui no Brasil alguns prdios mais novos j comearam a utilizar esse sistema.

    O Brasil est preparado para abastecer uma populao em constante crescimento numrico e

    66 CARPE DIEM

    Entrevista

    As duas estaes

    de tratamento

    de esgoto de Belo

    Horizonte so

    deste sculo.

    Quanto maior o

    poder aquisitivo

    de uma pessoa,

    maior o seu

    consumo.

    97,5% da gua da Terra salgada

    2,5% doce, desses:68,9% est nas calotas polares

    e geleiras29,9% em reservatrios

    subterrneos0,9% em outros reservatrios

    0,3% em rios e lagos

    vegetao existente. Hoje toda essa gua vai descer e chegar at o Centro.

  • econmico de maneira sustentvel?

    Entrevista

    7CARPE DIEM 7

    Chove mais no Vale do Jequitinhonha do que em

    Londres ou Paris, em relao ao volume de gua

    precipitado. No Vale, porm, a evaporao maior.

    Temos

    tecnologia e

    gua suficiente

    para sustentar

    todo o pas.

    [...] nas regies

    mais secas do

    Brasil, o solo faz

    a gua ficar

    salobra.

  • no?- No sei...- Que foi? Que acha que pode dar to errado?- s que... - hesitou, perdeu as palavras por uminstante: - ...no vai dar certo. -Se recomps: -Novai dar certo, sei que no vai...- Mas...Tinha encostado no muro, e agora olhava nadireo oposta a ela, onde o sinal ficara verde e oscarros cruzavam.- Acho que isso ento... - ela quebrou finalmente osilncio.- Pois ... - no tinha mais o que dizer, mas nosuportava no dizer nada.Ela checou o relgio:- Acho melhor subir...- Tudo bem...Despediram-se, e ele esperou que ela desaparecesse por detrs do jardim de entrada.Comeou a fazer o caminho de volta.Tentava ao mximo no pensar sobre o que tinhaacabado de fazer. Puxou os cigarros, quem sabeajudariam. Pensou em voltar ao caf, mas achoumelhor ir para casa, podia tomar caf em casatambm.

    Daniel NunesIV Liceu

    98

    Clinamen

    CARPE DIEM

    Crnicas carpediemnianas nmero trs:

    , morenaChegou um pouco atrasado. Estava sentado em umcaf nas redondezas escrevendo cartas, toentretido que, quando checou as horas, seu primeiroinstinto foi pedir a conta: trs expressos comchantilly e um mao de cigarros. 'Nada mal', foi oprimeiro pensamento, seguido por um 'ainda bemque trocam os cinzeiros de tempos em tempos',colocando os cigarros no bolso enquanto saa.No foi difcil encontr-la, estava no lugar desempre e no conversava com ningum.- Vamos?Comearam a andar, as mos se juntaram. Aconversa achou seu rumo sozinha, e os quarteiresforam vencidos um a um, vagarosamente.J chegavam em casa e, como de costume, pararamum pouco antes. J no falavam nada desde o finaldo ltimo quarteiro. Inconscientemente, estavamambos decididos a resolver a tal situao.- Olha... - ela comeou - Eu gosto muito de voc.- Tambm gosto muito de voc, ...- E acho que isso realmente daria certo, no acha?- que... no sei se quero isso... - falou, to baixoque foi quase para si mesmo: - No sei...- Mas... Acho que ns s vamos descobrir tentando,

  • Quando minha me, relembrando o passado, me diz que comeou a gostar de Histria atravs de um professor, vendo seu amor por aquela matria, eu pergunto qual seu nome. Ela me diz que Tio Rocha, ganhador do Prmio Empreendedor Social 2007, e que acabara de sair uma entrevista com ele na revista Caros Amigos, nmero 137. Disse tambm que j pensava em manifestar sua vontade de que eu lesse as palavras de Tio. Mal sei explicar o quanto mudou em mim depois de t-las lido. Vejo hoje na minha Escola, e em vrias outras, que muita coisa est errada. J vi uma criana sair da sala rasgando uma prova e chorando desesperada. O motivo? Simples: sua notaera vermelha. Ouo professores dizerem que, na escola, seu objetivo aprovar e o objetivo do aluno ser aprovado.Decepciono-me com pensamentos assim to pequenos, to pobres. Mas o que mais me surpreende e entristece encontr-los dentro da instituio que sempre considerei essencial, na qual sempre confiei. Minha viso hoje no assim to ingnua. Escolas no mais ensinam. So empresas, querem renome, e querem seus alunos no topo da lista dos aprovados da UFMG.Li, h pouco tempo, que existem palavras que falam por si s. E que uma delas aluno. Aluno: sem luz, sem conhecimento. No quero ser aluna. Quero estar em um lugar onde todos somos aprendedores. Onde os professores se colocam como mediadores do conhecimento, e propem aprendizado, trocas. Onde uns aprendem com os outros, e no somente com livros. Quero uma nova escola, que ensine s crianas que o Vestibular no o objetivo, e que no distribua pontos como prmios aps um trabalho bem feito. Uma escola onde se constri o saber, onde no existem testes, pois o conhecimento deve ser adquirido,e no provado. E m s u a e n t r e v i s t a, T i o R o c h a questiona : A escola pode ser p ra z e ro s a ? Ou tem que ser o servio

    militar obrigatrio aos seis anos?. A minha pergunta a mesma. Ir escola, hoje, sinnimo de obrigao. E no deveria. Essa instituio, com sua estrutura de lgica medieval, afasta cada vez mais crianas e jovens do interesse pelo conhecer, quando deveria ser o contrrio. Quem tem prazer em aprender Histria, Geografia, ou qualquer outra matria, quando obrigado a provar de semanas em semanas que o contedo foi fixado? Ou quando tem que ser comparado com os outros alunos, que fazem o dever e se saem bem nos testes? Por que, afinal, o que realmente testado? Por que no confiar que uma pessoa capaz de ter interesse em aprender, em se tornar conhecedora por si s? A Escola, para sua prpria reputao, precisa constantemente confirmar que as crianas e jovens esto fazendo seus deveres, copiando as matrias, usando o uniforme corretamente, e precisa distribuir pontos. Pontos que so conquistados para a aprovao final. Pontos que, na verdade, no existem. Mascaram o objetivo real, o aprendizado, com 30 pontos a cada etapa, e dizem que nos preparam para o vestibular. Penso: Meu Deus, ser que no enxergam?. Pergunto-me se no conseguem ver que

    estamos l para termos compreenso, vivncia. Mandam alunos para fora de sala,

    reclamam dos resultados, quando deveriam nos ouvir e lembrar que a

    escola lugar de formar cidados, quando deveriam fazer com que ns

    tivssemos vontade, interesse por seus ensinamentos, assim como o premiado

    Empreendedor Social fez com minha me.Ainda que me sinta como uma em um milho,

    navegante esquecida e quase sozinha em um oceano to grande e escuro, ainda mais perdido do que eu, acredito na mudana. Acredito que a tal da instituio ainda pode e deve tentar enxergar atravs de seus aprendizes e, assim, ver que a vida vai alm das notas, e que tem muito a aprender antes e enquanto comea a realmente ensinar...

    Isabel PellegrinelliI Liceu

    99

    Clinamen

    Navegante

    CARPE DIEM

    Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina (Cora Coralina)

    arte: www.flickr.com/lumiando

  • 10

    Clinamen

    CARPE DIEM

    Acordei jogado sobre um cho de tablado com uma madeira de cor marrom clara, rachada pelo tempo. Minha cabea ecoava como o pndulo de um sino em uma igreja, ento permaneci ali, deitado, olhando para o teto branco manchado de mofo e com algumas teias de aranha em sua extenso. s vezes, a dor batia mais forte e meu corpo se contraa. Levei a mo cabea diversas vezes, mas s agora percebi aquele calombo causado por uma contuso. No me lembrava de ontem noite, tentava me erguer, mas sentia em minha cabea um peso enorme. Fiquei ali, jogado como um filho do demnio na porta do paraso por aquela noite e, no dia seguinte, percebi que no conhecia tal lugar. Percorri com um olhar rpido o cmodo e vi uma porta de maaneta dourada e reluzente. Meu instinto me empurrou para l e, em vo, girei a maaneta seguidas vezes. Balancei a porta e gritei, mas s ouvia meu grito que ecoava pelo que me parecia um corredor. Aquele silncio insistia em permanecer, interrompido apenas por um tique-taque distante. Batia e tentava abrir a porta incessantemente, via os ponteiros do cuco cumprirem seu percurso sem errar um passo, dia aps dia. A cortina de p e r s i a n a , v e l h a e amarelada pelo tempo, d e i x a v a - s e s e r ultrapassada por a lgun s ra i o s durante o dia.

    noite, aquele nico poste posto f r e n t e d a sacada, insistia em iluminar ali com a sua luz falha e, ento, percebi que no sabia mais a data. Aquilo estava me enlouquecendo. Onde eu estava? Por que eu estava ali? O que tinha acontecido naquela noite? Eu tentava abrir a porta, Deus sabe o tanto que eu tentei, e aquela agonia no cessava. noite, era pego pelos meus sonhos que me mandavam flashes daquela noite e eu acordava com meus gritos sentindo o gosto do sangue de volta minha boca. Passei assim vrios dias, alimentando-me de restos achados sobre uma bancada. No entendia como aqueles restos duravam tanto, ou como eu dormia tanto jogado sobre uma velha poltrona de couro marrom, gasto e comido pelo tempo. Resolvi, por aquele dia, no comer nada e, quando o cansao venceu a batalha contra meu corpo, me joguei no assento. Acordei no meio da noite com algumas risadas. Eu no estava ali sozinho, ento resolvi fingir que ainda estava com Morpheus. Dois

    homens destrancaram a porta e riam, como se eu no estivesse l. Um deles era

    gordo e baixo, com t r a o s

    Amnsia

    10arte: www.deviantart.com/custombydak

  • 11

    Clinamen

    CARPE DIEM

    Fratelli dItalia

    Cinquantotto milioni ditaliani con la mano al petto. Proprio sul cuore. Cantando emozionati il nostro caro Fratelli dItalia. Cinquantotto milioni tra donne, uomini e bambini. Quelli che in tiv, chiss perch, appaiono sempre biondi, belli, quasi degli angeli. Ecco, quelli.Siamo tutti italiani, tutti bona gente, tutti patrioti. Lo sappiamo tutti linno nazionale. Per forza. Lo impariamo a scuola, a casa, lo sentiamo per strada, lo cantiamo, qualcuno ci piange pure su.Si alzano le bandiere. Italia, Unione Europea, Roma! Tutte belle grandi, appese alle finestre. Ci piace pensare alle nostre belle guerre per lindipendenza, alle rivoluzioni... Ma, ahim! Nel fascismo non si tocca. Amiamo il nostro paese, la nostra cultura, i nostri vini e i nostri formaggi, ma per capodanno ci deve per forza essere lo spumante francese, mi raccomando!Inni, bandiere alzate, parole buttate al vento. Sarei felice nel morire per lItalia. Perch non c posto come il Nostro paese. La nostra Patria. La Mia patria! Non so quanto a voi, ma a me questidea ricorda un po una certa canzoncina molto cantata nei primi del novecento.E mi viene da pensare...Come mai il patriottismo ci ricorda sempre governi assolutistici ed oppressori?Non saprei. Non ce lo chiediamo che meglio.E ancora una volta mi viene in mente quella stessa canzoncina.

    Giovinezza, giovinezzaprimavera di bellezza,

    nel fascismo la salvezzadella nostra libert!

    Laura RendeII Liceu

    11

    italianos e terno de linho que me fizeram jurar sua participao em uma mfia. O outro, alto e magro, era mais uma espcie de fugitivo do FBI, com seu nariz de tucano, suspensrio que puxava a cala deixando mostra as canelas e seus traos magros. O mais alto entrou trazendo nos braos sacolas de papel engorduradas e seguiu para a bancada. O outro carregava um copo de usque e, na cintura, uma arma.- Temos que achar um lugar que ele ainda no mexeu.- Coloque em qualquer lugar, esse pobre diabo jdeve estar louco.- Melhor no confiarmos nisso. Vem... me ajuda acolocar esses restos l em cima.Bufou, colocou o copo de usque sobre uma mesinha de vidro perto de alguns livros e jogou por ali sua arma. Eu me virei como uma pessoa que dorme para ver melhor a cena, ento o homem da arma me olhou desconfiado, perguntando ao comparsa sem desviar o olhar de mim.- Ser que ele est mesmo dormindo?- Voc est brincando? Com o tanto de sonfero que agente coloca nesse negcio, ele dorme mais do que umurso hibernando.-, voc tem razo.Ocuparam-se em esconder a comida, o que demorou tempo suficiente pra eu bolar um plano. Interpretei um daqueles gritos que eu dava antes de acordar. O susto dos homens foi to grande que eles nem se preocuparam em retirar do cmodo as evidncias de que eu no estava ali sozinho, s se ocuparam emtrancar a porta. Levantei-me e sentei na poltrona, com as pernas entreabertas, os cotovelos apoiados sobre elas, com as mos em forma de ponte tampando a boca. A imagem daqueles homens me trazia memria mais algumas evidncias daquele dia. Eu me esforava, forando-me a lembrar de algo. O tique-taque do cuco no estava mais to distante e eu, com os olhos cheios de lgrimas, me lembrava daquela noite. Eu devo estar louco.

    Vitria BallesterosII ITC

  • 12

    seu uso. Ela define tambm que a populao e o Estado devem ter participao no processo decisrio de administrao da gua. Com base nessas legislaes, foram criados os Comits de Bacia, unidades pblicas de gesto das guas de uma bacia hidrogrfica.Um dos maiores problemas dos Comits de Bacia que quem mais participa na sua administrao no o povaru. O projeto Manuelzo tem como seu maior mrito fazer com que a participao da populao efetivamente acontea no Comit de Bacia do Rio das Velhas. A verdadeira importncia da participao populacional no Comit que, sem a populao, oComit no tem legitimidade para agir. Isso significa que ele, normalmente, apenas institucionaliza as leis sobre o uso da gua, mas no tem como realmente controlar o seu uso. Para poder agir quando necessrio, preciso a participao da populao. Em consequncia deste projeto, a Bacia do Rio das Velhas uma das mais bem administradas e com um dos processos de revitalizao que melhor funciona no Brasil.O sucesso do projeto no envolve somente instituies oficiais, fontes financiadoras e entidades ambientais, mas tambm a populao local. mais um passo que sutilmente trabalha para conscientizar o mundo e as pessoas que, a longo prazo, "o modo como manejamos a gua existente em nosso planeta pode vir a ser fator determinante para a possibilidade de nossa espcie continuar ou no a habit-lo", que por todo o mal que se faz, um dia se repaga, o exato.

    ???I Liceu

    Clinamen

    CARPE DIEM

    O senhor v: existe cachoeira, e pois? Mas cachoeira barranco de cho, e

    gua se caindo por ele, retombando, o senhor consome essa gua, ou desfaz o

    barranco, sobra cachoeira alguma? Viver negcio muito perigoso

    (Grande Serto: Veredas)

    12

    Manuelzo. Isso no apenas um nome fora de moda no aumentativo. Trata-se de um projeto de extenso da UFMG, batizado segundo o personagem de Guimares Rosa, o vaqueiro Manuel Nardi. Alm do nome, a verdadeira histria do projeto comeou em 1997, ano no qual foram institudos os Comits de bacia no Brasil, por iniciativa do Dr. Apolo Heringer Lisboa. Alunos e professores do IR (Internato Rural) da Escola de Medicina da UFMG perceberam a necessidade de conscientizar, no s a populao ribeirinha, mas toda a sociedade sobre a questo da poluio da gua. No era o bastante tratar a populao de tempos em tempos, mas sim trabalhar as causas das doenas. Isso quer dizer que a sade no apenas uma questo mdica, est diretamente relacionada s condies sociais e ao meio ambiente em que as pessoas vivem. A meta do projeto despoluir a bacia hidrogrfica do Rio das Velhas (que o maior afluente do Velho Chico) e integrar a populao, trazendo assim maior qualidade de vida aos habitantes de toda regio. Essa bacia foi escolhida como foco de atuao porque permite uma anlise mais ampla e integrada dos problemas e das necessidades de interveno, uma vez que envolve 51 municpios de paisagens, culturas, e realidades sociais diferentes. Esta atuao mais ampla necessria, pois o que adianta para um municpio tratar seus esgotos se continuar recebendo guas poludas vindas de outros municpios? H duas principais leis que se referem gua no Brasil: a primeira estabelece que as guas so pblicas e devem ser administradas levando-se em considerao o seu uso mltiplo, sendo o consumo humano explicitamente prioritrio sobre outros propsitos; a segunda diz que a gua um bem econmico, e, portanto, os usurios devem pagar pelo

    Paz das guas vida!

  • 13

    Clinamen

    CARPE DIEM 13

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  • Em 1972, aconteceu em Estocolmo a primeira conferncia relativa ao meio ambiente promovida pela ONU. Nessa poca, no havia uma agenda internacional que regulamentasse as relaes entre a humanidade e o meio ambiente, sendo que somente o desastre de Torrey Canyon havia ganhado algum destaque (da mdia) em 1967.

    Foi somente durante a Conferncia da Terra, em 1992, que cento e setenta e dois pases de fato reconheceram a necessidade de perpetuar o que se chama hoje de desenvolvimento sustentvel. Todos os chefes de Estado presentes no Rio de Janeiro concordaram com as diretrizes estabelecidas pela Agenda 21, que prev, dentre outras coisas, o desenvolvimento das naes de forma harmnica com o meio ambiente.

    As naes que participaram da Conferncia de Joanesburgo (Rio +10) reconheceram que o mundo globalizado tem plenas condies de enfrentar o desafio de preservar os recursos naturais para no comprometer as geraes vindouras. Trata-se de um compromisso irrefutavelmente conhecido. Ento, por que razo tantos pases preferem postergar a implementao de planos de ao que visem ao desenvolvimento sustentvel?

    inegvel que o modo de produo capitalista pressupe a explorao acfala de todos os meios de produo imaginveis. A tica do capital se impe sem d nem piedade aos famintos, doentes e oprimidos do mundo. Por que o ambiente mereceria melhores cuidados?

    Quando o Sistema Financeiro Internacional perde quinze trilhes de dlares em poucos dias, fica evidente que chegada a hora de frear esse monstro que no passa to somente por uma crise cclica, mas por um verdadeiro cataclismo. A emisso desmedida de dixido de carbono, bem como de vrios outros gases causadores do efeito estufa ameaam a prpria existncia do homo sapiens/de mentis no planeta. A previso pode soar apocalptica, mas absolutamente ttil.

    A questo do desenvolvimento sustentvel se torna cada dia mais gritante. Como escreveu Leonardo Boff:

    A humanidade precisou de 1 milho de anos para alcanar em 1850 1 bilho de pessoas. Prev-se que, por volta de 2050, haver 10 bilhes de pessoas.

    Opinio

    14 CARPE DIEM14

    Amanh ser

  • Opinio

    triunfo ou dano? H exploso demogrfica e decrescimento dos meios de vida num planeta limitado. Sinal precursor de nossa prxima extino? Dada a presso industrialista global sobre a biosfera, esto desaparecendo 3.500 espcies por ano. Um desastre

    biolgico.

    Num contexto em que os ndices das bolsas de Nova Iorque e Tquio so mais importantes do que a prpria manuteno dos recursos naturais do planeta Terra, no vejo outra sada que no seja o pleno envolvimento da sociedade civil na luta pela regulamentao do desenvolvimento sustentvel em todos os cantos do mundo. A questo j no s moral, mas estritamente poltica. A interveno dos Estados na economia se faz imprescindvel para amenizar os impactos que vm sendo causados em todas as partes do mundo.

    As cidades no precisam esperar pela luz divina do Governo Federal, to sobrecarregado de funes e consequentemente de poder no caso da Repblica nem to Federativa do Brasil. Se as solues forem discutidas e encontradas na esfera municipal, tanto melhor. As decises precisam ser tomadas rapidamente, pois a explorao da Amaznia no cessa, o desaparecimento de espcies tambm no. Como quis Rousseau, quanto mais conciso for o corpo poltico, mais agilmente se concretiza a vontade da maioria.

    Ana Priscila C. Luz

    ex-aluna

    15CARPE DIEM 15

    outro dia?

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  • Poesia

    16 CARPE DIEM16

    Fontes infinitas dos teus olhos.Profundo abismo de luz. Do brilho de um pequeno gesto dos teus mais profundos sentimentos,Meu corpo se estremece. gua, sal, ternura.Trs elementos puros e perfeitos.Juntos homenageiam tua verdade. Pelo teu rosto elas seguem esperanosas.No desejo angustiante de que teu bem amado as venha enxugar. Meu ego insistente,Busca por uma razo. Fraco e inofensivo,Diante de tua perfeio eu me rendo. Perdido em sentimentos.Tudo que me resta a esperana de que no fim,Eu me torne uma delas.

    Brunno CouraIII ITT

    Eu, ser incandescente de hidrognio puro,Filho rarefeito da mais densa nebulosa,Nas rotas elpticas de fora grandiosaSou o poder e a razo das foras do futuro.

    Sou parte deste logos csmico gigante,Sou parte de um todo que aspira a unidade,Tempestade e mpeto, potncia e vontade,Sou pneuma de todo um organismo inda infante.

    Eu, que sofro do mais puro sofrimentoProcuro na abstrao csmica um alentoPara minha alma, embuada em aflio.

    Eu, que delirante pela noite o cu contemploE que em lugares ermos procuro isolamentoHei de encontrar nas etreas plancies solido.

    Guilherme Evaluno em intercmbio

    arte

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  • Suspiros de uma chuva de vero

    O som da flauta ecoa,ouo uma voz suave,aos poucos bate forte,se silencia.

    Seu olhar cinzento,aos poucos se fechandoeis que se escutambatidas,batem, batem...so toques de minutosde segundos,uma saraivaadda.

    Surge assim seubrilho, um estrondo!Um grito desesperadoque vem,que vai,que volta,que segue.

    Eis que brilha,seu suspiro forte,um sopro noouvido

    Um cheiro verde,o grito:que vaique vem,se perde evolta.

    Seu olhar se torna escuro,no h mais luzseu borbulho forte,rouco e se misturacom o sibilo, que ficaainda mais forte.

    As lgrimas, ah essas!Caem com veemncia!

    Sua presena envolve,esfria o ambiente, forte, geladasombria.

    17CARPE DIEM

    Seu sentimento forte, paciente,eloquente no que diz,no que respira,no que tangeaemoo?

    Ao calar de suas palavrasde seu clamorde seu dizermurmrio.

    Resta o que no misturar,gua e terra,barro,misria.

    Yin san Mantovanex-aluno

    Poesia

    CARPE DIEM 17

    arte

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    3s

  • MAS EU, alheio sempre, sempre entrando/ O mais ntimo ser da minha vida/ Vou dentro em mim a sombra procurando.

    De fato, a sombra encontrou. Fernando Pessoa nunca se casou, teve uma namorada, porm. Vasculhando entre seus companheiros, que s em papis existiam, achou , sozinho, o amor literatura. Com o passar dos anos, e aps muitos artigos, poemas e prosas, Pessoa publicou o seu primeiro livro Mensagens em 1934 - que lhe rendeu um prmio no concurso literrio Antero de Quental.

    TO CEDO PASSA tudo quanto passa!

    Morre to jovem ante os deuses

    Morre! Tudo to pouco! (...)

    No to potica como o autor, a morte o alcanou em novembro do ano sucessivo acompanhada de uma terrvel clica heptica. Assim, se desmultiplicou, com 47 anos , o poeta dos heternimos.

    Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha bio grafia, no h nada mais simples. Tem

    s duas datas - a da minha nascena e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias so meus.

    Fernando Pessoa,

    1888-1935.

    Raquel F. BatistaII Liceu

    CARPE DIEM1818

    Perfil

    Pessoas talvez seria o sobrenome mais adequado para o poeta. Basta dizer que Fernando Pessoa no era exatamente sozinho: contava com seus mltiplos eus- ou melhor - heternimos, que, ao contrrio do que muitos pensam, no eram pseudnimos. Tinham vida prpria por assim dizer: prpria personalidade, prprio estilo, prpria histria - enfim, eram vrios homens independentes que viviam para dar razo genialidade de Pessoa. Assim como todos seus egos, natural que o original destes tenha uma histria tambm. Nascido portugus em junho de 1888, Pessoa cresce j com seu heternimo Alberto Caeiro - que nasceria no ano posterior. Ainda criana, mudou-se para Durban, na frica do Sul, onde aprendeu ingls e francs - lnguas que futuramente faro parte de alguns de seus poemas. Exercitando sua educao britnica, escreve prosa e poesia em ingls, e ento surgem seus elegantes companheiros Charles Robert Anon e H.M.F. Lecher. Encerrados seus bem sucedidos estudos na frica do Sul, agora, independente e crescido - com seus 17 anos-, retornou a Lisboa para ingressar no Curso Superior de Letras. Contudo, abandonou o curso em menos de um ano.

    Depois pensemos, crianas adultas , que a vida

    Passa e no fica, nada deixa e nunca regressa.

    De fato, tal abandono no impediu que o poeta progredisse. Na verdade, deu origem, poucos anos depois, a Ricardo Reis, heternimo mdico-buclico que sofria de perfeio e simetria - bens de sua Monarquia.

    Neste perodo, Pessoa comeou a trabalhar como crtico literrio e ensasta da Revista guia- o que impulsionou sua carreira.

    Influenciado por Nietzsche, Schopenhauer e pelo simbolismo francs, nasceu seu principal heternimo: lvaro de Campos, engenheiro de educao inglesa, que passou por fases poticas como o decadentismo, o futurismo e por fim o niilismo.

    Ainda em vida terrena, lvaro posfaciou a obra Poemas Completos de Alberto Caeiro do companheiro, que crescera com Pessoa como

    campons e morrera como poeta-filsofo, de tuberculose.

    Fernando Pessoa

  • ASonho. No sei quem sou neste momento. Du rmo sentindo-me. Na hora calma Meu pensa mento esquece o pensamento, Minha alma n o tem alma Se existo um erro eu o sabe Se acordo Par ece que erro. Sinto que n o sei. Nada quero nem t enho nem re cordo. No t enho ser nem l ei.Lapso de co nscincia entr e iluses, Fan tasmas me limit am e me contm Dorme insciente d e alheios cora es. Corao de ningum.Pouco me importa. Pouco me impo rta o qu? No sei: pouco me importa. O q ue me di no O que h no corao Mas essas coisas lindas Que nunca existiro... 19

    Perfil

    CARPE DIEM 19

    arte: Raquel Frana Batista II Liceu

    texto: Fernando Pessoa

  • Esthio

    progresso tcnico-cientfico nessa poca notadamente superior ao europeu, e no podemos excluir a possibilidade de o consumo de caf no mundo rabe ser um dos tantos motivos desta superioridade.

    A bebida s chegou ao velho continente no sculo XVI e se difundiu no sculo XVII: coincidncia ou no, esse foi tambm o sculo da revoluo cientfica .No sculo XVIII, o ambiente dos cafs tornou-se popular ponto de encontro de intelectuais e artistas: a sua importncia como bero da efervescncia cultural

    daquele e dos sculos seguintes inegvel. Cafs foram tambm palco de importantes decises e reflexes polticas, revolucionrias ou independentistas. A lucidez e a clareza de ideias so, sem dvida, f a v o r e c i d a s p e l a ingesto da bebida. Ser que ela tambm t e m p a r t i c i p a o i m p o r t a n t e n a racionalidade excessiva do sculo XIX, presente de certa forma at hoje?

    Ouvi dizer uma vez que o sucesso da Revoluo I n d u s t r i a l e d o Capi ta l i smo ser iam impossveis se o hbito de con sum i r ca f no houvesse se disseminado tambm entre as classes menos favorecidas. At o scu lo X IX bebiam principalmente gua

    (muitas vezes de pssima qualidade, sem tratamento, possivelmente contaminada...) e bebidas alcolicas: raramente estavam no melhor de suas condies fsicas,ou por mal-estares causados pela gua de baixa qualidade ou pelo estado brio causado pelo lcool. Quando passaram a beber caf, seu vigor fsico aumentou, j que a bebida, alm de estimulante, feita com gua fervida e no possui lcool, tornando possvel suportar as condies de trabalho que as

    CARPE DIEM20

    O caf e a sociedade contempornea

    Madrugada funda e eu aqui escrevendo, despertssima. Pergunto-me se, depois de tantas horas acumuladas de sono atrasado, isso seria possvel sem as centenas de mil de cafs que tomei. Duvido. Normalmente no refletimos a fundo sobre a nossa relao com o que ingerimos, pelo menos no fora do prisma da sade ou da boa forma. Fato que a histria da alimentao e a histria da humanidade esto intrinsecamente ligadas. Basta pensar, por exemplo, que o homem se tornou sedentrio quando passou a conhecer as tcnicas de cultivo dos gros, e transformou-os em sua principal fonte de energia. Ou que a batata, alimento que s chegou Europa depois da descoberta das Amricas, foi fundamental para a sobrevivncia de muitos europeus durante a Segunda Guerra Mundial.

    E as bebidas? Em que m e d i d a s e r q u e influenciam nossa vida? Pensemos no caf, por exemplo.

    Esta bebida originria da Etipia contm cafena, que aumenta a influncia do neu ro t ran sm i s s o r d o p a m i n a - u m estimulante do sistema nervoso central - no nosso crebro. Que o consumo do caf produz disposio, lucidez e uma sensao de bem-estar, todo mundo sabe, em termos mais ou menos tcnicos. O ponto : que impactos o consumo em larga escala de uma bebida com essas propriedades pode causar na sociedade?

    Bem, a primeira resposta a mais bvia: em uma sociedade em que o consumo de caf amplo, a populao, em geral, tender a ser mais atenta e mais disposta.

    Foi o que aconteceu com o mundo islmico, que conheceu o caf durante a Idade Mdia. Seu

    arte: Martino

  • Esthio

    Casa Bonomi

    Inaugurada em 1997, a Casa Bonomi j a dica certa para quem tem paladar exigente e busca um lugar agradvel e bonito em BH. A qualidade e variedade dos pes, croissants, sanduches, saladas, sucos, doces e otras cositas mas tornaram a Bonomi um lugar irresistvel. Tomar o caf da manh no domingo, tudo de bom! Almoar com uma pessoa querida, inesquecvel! Descansar um pouco do corre-corre, enquanto folheia ou l uma revista ou livro, nada melhor! Vamos combinar: imperdvel! L a gente volta sempre!!!

    Onde: Rua Cludio Manoel, 460. (na esquina entre Av. Afonso Pena e Getlio Vargas) Funcionrios.Horrio de funcionamento: segunda, das 12h s 22h30; de tera a domingo: das 8 s 22h30 Fone: (31) 32613460

    Leve um po fresquinho e uma massa caseira no fim do dia. Acompanhe tudo com um bom vinho e v pra cama achando a vida mais bonita.

    LourdinhaProfessora de portugus

    Carpe Noctem

    21CARPE DIEM 21

    incipientes indstrias exigiam. Alm disso, a sensao de bem-estar que a dopamina provoca atenua os sofrimentos e as dores do trabalho excessivo.

    Quantas vezes j viramos a noite, tomamos um copo de caf e nos mantivemos acordados at a noite seguinte? Quantas dessas noites usamos para trabalhar ou estudar? Quantas horas por dia um homem de classe mdia trabalha? E quantas xcaras de caf ele bebe? Devemos tomar cuidado para no usar alimentos e bebidas como instrumentos para superar os limites do nosso corpo e da nossa mente, mas claro que podemos usufruir de suas propriedades. Devemos faz-lo, porm, com conscincia: eles e nosso ritmo de vida se influenciam mutuamente e, se queremos melhoras na sociedade, devemos repens-los.

    Amanda Bruno

    IV Liceu

    Esthio, em grego clssico, significa comer. Em portugus, porm, o som da palavra lembra estiagem - a insuficincia das chuvas em certos perodos e regies, causadora de danos agricultura e, consequentemente, de maior dificuldade de obteno de alimentos por parte, principalmente, da populao de baixa renda. Este contraste entre abundncia e fome um dos aspectos mais marcantes da sociedade atual. Esta nova seo da revista Carpe Diem tem como objetivo uma abordagem diferente e multifacetada da comida. Afinal, ela , ao mesmo tempo, prazer sensorial, elemento scio-histrico-cultural e instrumento para obteno do equilbrio de nutrientes no corpo.

  • Carpe Diem Recomenda

    22 CARPE DIEM22

    Publicado pela editora Landy em 2003, Fbulas de La Fontaine um livro de poesias do prprio Jean de La Fontaine traduzido por vrios poetas brasileiros e portugueses. dividido em dois volumes, com 320 pginas cada.

    Traduo de poesia coisa difcil, mas uma ta re fa m u i to bem realizada por Couto

    Guerreiro, Baro de Paranapiacaba e outros

    t a n t o s p o e t a s q u e passaram para a lngua portuguesa as fbulas de Jean de la Fontaine.

    Algumas clssicas, como "A raposa e as uvas"; outras no muito conhecidas,

    mas nem por isso

    Agradando os ouvidos contemporneos, o msico encanta o pblico em uma jornada calma, meditativa

    e nica com sua temtica clssica.

    A cena clssica meio fechada para aqueles que no tm estudado msica a vida inteira. Eu gostaria de trazer minha influncia clssica para as pessoas que geralmente no ouvem esse tipo de msica... para abrir suas mentes, sabe? Especialmente, pessoas mais jovens, que, ao que parece, tm sido grande parte do meu pblico (Arnalds, lafur entrevista com Sasu Ripatti, em Opening up Spaces).

    Raquel F. BatistaII Liceu

    menos importantes como "O velho, o rapaz e o burro". Muitas fbulas esto na forma de poesia com perfeita mtrica, enquanto outras no seguem risca o nmero de versos ou slabas em uma estrofe, o que pode deixar a histria montona e difcil de ser compreendida. Nem todas as narrativas tm uma moral explcita e muitas vezes difcil entend-la, o que um ponto positivo, pois obriga o leitor a refletir sobre o assunto.

    Vale a pena conferir.

    Leonardo AssisIII Mdia A

    Livros

    lafur Arnalds

    La Fontaine em pleno sculo XXI

    Com apenas 22 anos, o islands lafur Arnalds vem se destacando na cena alternativa musical europeia, desde 2007 com seu primeiro CD: Eulogy for Evolution. O jovem compositor comeou sua carreira como baterista da banda hardcore Fighting Shit, mas, desde que comeou seu projeto solo, mudou totalmente o estilo: explorou o seu talento em piano, aprimorou sua msica com cordas delicadas e hoje toca o que por definio seria o neoclssico.

    A bela msica de lafur vem se difundindo desde sua abertura

    para o tour da banda islandesa de post-rock Sigur Rs e hoje conta com mais dois CDs: Variations of Static, lanado em 2008, e o mais recente Found Songs de 2009.

    Foto: Divulgao

  • Nessa poca o Iraque ataca o Ir, e o regime passa a ser ainda mais rgido, fazendo com que, em dois anos, a vida dos seus cidados mude completamente. Mas, apesar de tudo, entre o medo dos bombardeios, a represso do regime e a espionagem dos vizinhos, a vida segue seu curso.

    Com medo de que ela fosse presa, a me de Marjane decide mand-la para uma escola em Viena, onde ela acaba por ficar hospedada em um convento.

    O resto faz parte da histria, naturalmente. Perspolis ganhou fama mundial em 2008, depois de ser apresentado no Festival de Cannes. O filme baseado no livro de Satrapi, que leva o mesmo nome.

    Dirigido por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, o filme traz o humor inteligente das tirinhas de Marjane, acrescentando-lhe um brilho especial, que d Marji e sua histria um enredo envolvente e nico.

    Laura RendeII Liceu

    Carpe Diem Recomenda

    23CARPE DIEM 23

    Perspolis

    Em um pas dominado por lderes extremistas, a pequena Marjane Satrapi s queria duas coisas: raspar as pernas e virar a ltima profetisa da galxia. Essa animao auto-biogrfica aborda de forma incrivelmente leve e satrica a histria de um Ir oprimido por ditadores e em meio a guerras civis, vista pelos olhos de uma garota de dez anos. Marji se v cercada por figuras revolucionrias que no entende por completo, mas apoia e admira quase que cegamente. Aps a revoluo, um novo regime ainda mais rgido toma conta do pas e a garota passa a infncia procurando ajudar a famlia a lutar contra o prprio governo.

    Com o passar dos anos, ainda cercada por um mundo machista e opressor, Marjane comea a mostrar seu lado revolucionrio com pequenos gestos, como o de usar jaquetas ou comprar discos do Michael Jackson no mercado negro.

    Foto: Divulgao

  • Tirinha

    24 CARPE DIEM24

    arte: Mateus Portugal ex-aluno

    arte: Quinoselecionado pela equipe

  • Passatempo

    2525CARPE DIEM

    Magneto

    Triturar

    Indgena de Pomba(Minas Gerais)

    Santa CatarinaO que precede

    Lord Help Us(internet)

    (...) Mahal(arquit.)

    Forma de Saudao

    (pop.)

    Deusa Egpcia da Lua

    Esportista

    Cogito ergo (...)Lat.

    Tcnica Ninja

    The Legend of (...)(Video Game)

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    Prende

    Magneto

    Triturar

    Indgena de Pomba(Minas Gerais)

    Santa CatarinaO que precede

    Lord Help Us(internet)

    (...) Mahal(arquit.)

    Forma de Saudao

    (pop.)

    Deusa Egpcia da Lua

    Esportista

    Cogito ergo (...)Lat.

    Tcnica Ninja

    The Legend of (...)(Video Game)

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    Tenacious D

    Barcaa

    Sistema de troca de dados

    Antecessor do Violo

    Natureza (hebr.)

    Computao Grfica X (num.)

    Corrente Alternada

    (fis.)

    Lago Escocs

    Dlar da NamdiaCastidade

    Drama Musical

    Ativo

    Engordurar

    scar Roberto (...)(fut.)

    Hugo Ball

    550 (num. rom.)

    Ns(ing.)

    Repleto

    Carate-rstica

    do agiota

    Aglomerado de

    coisas

    Berne

    RicochetearLago

    Mexicano

    Mantra do Infinito

    Baa do Canad

    Ponto de Ejuno

    Cidade

    Texanapetrolfera Clcio

    (qum.)

    Gosta, Adora

    Zircnio (qum.)

    Associado ao

    Niilismo

    Constru-o

    Islmica

    Peixe|balo

    BlisRio e Estado Brasileiro

    Terrorismo Protestante Anti-Catlico

    (Irlanda do Norte)

    Precipitar

    Higher National Certificate

    (tt. acadmico)Dicas: bocai, Iraan, Zelda, Ninjutsu, Ura, Kaaba

    Vento(Fr.)

    Cruzadinha

    6 1 7

    9 4 6 15 2 4

    5 3

    2 84 7

    1 5 8

    6 8 2 94 7 1

    Sudoku

  • 26 CARPE DIEM26

    Seo Curinga

    Eu s quero nadar, nadar, nadar. No comeo, polir o corpo com gua. Depois, cada vez mais rpida e freneticamente, fazer o suor se confundir com o lquido que me circunda. At que eu tambm derreta e me misture ao suor, me misture gua. At que tudo deixe de existir, pra virar tudo s gua. Lmpida e fresca gua. E depois, que nada mais se misture. Que eu possa escorrer das pessoas e arrastar algumas para o fim, sem me contaminar. E permanecer fresca e lmpida.E voc tambm. Te arrastar pra mim, me escorrer por voc e fazer amor-gua: que derrete, mistura e confunde pra sempre. Amor-gua, seres-gua, gozo-gua: tudo com uma lentido de fora arrebatadora; vai-e-vem interminvel regido s pelo vento e pela lua, e por mais nada. Tudo fresco, tudo lmpido, tudo profundo. E os mistrios das profundezas, s nossos. S gua.

    Amanda BrunoIV Liceu

    gua-viva

    arte: Raquel Frana BatistaII Liceu

  • Lallegria della scuola

    Il primo giorno di scuolaHo trovato VicenteChe cantava allegremente

    Le bidelle ben vestite incamminavanoGli studenti nelle classi puliteGiulia tutta feliceVeniva a scuola con la bici

    Gli alunni tutti contentisi chiedevano impazienti si chiedevanoquali erano le nuove maestre, guardando dalla finestra

    Quante materie ho da studiare,per ci sar tempo per giocare.Lesame di 5 dobbiamo affrontarecon grinta e coraggio dobbiamo superareper il passaggio alla scuola Media conquistare.

    Davide Bodrin V elementare

    Plunkt Plakt Zum!arte: Sa

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    arte: Laura

  • Coordenao Geral:Maria de Lourdes Barreto Carneiro

    Reviso:ProfessoresMaria de Lourdes Barreto Carneiro - Portugus

    Projeto Grfico:Renato ArajoFbio Coelho

    Diagramao: Amanda Bruno

    Capa:Laura Vitral

    Textos:Alunos, Ex-alunos, Pais, Professores, Diretores, Funcionrios da Fundao Torino.Amigos, Colaboradores-Simpatizantes do Projeto.

    Equipe Carpe Diem:AlunosAmanda BrunoBrunno CouraDaniel NunesJssica BallesterosJuliana GuerraLaura LobatoLaura RendeLaura VitralIsabel PellegrinelliRaquel FranaSofia Avritzer

    Agradecimentos a:

    Alessandro Trani, Annie Oviedo, Mateus Portugal, Alexandre Fonseca, Sandra Cavalcante, Giuseppe Ferraro, Alessio Gava, Marco Sbicego, Jeanclaude Arnod, Anna Motta, Daniela Mendes, Luciano Sepulveda, Jaime Quinto, Marcelo Libnio, Horcio e demais pessoas que, indiretamente, colaboraram para a concluso deste projeto.

    Grfica:Pampulha Editora Grfica - (31) 3468-3969Rua Taquaril, 660 - Saudade, Belo Horizonte - Minas Gerais

    Tiragem:2000 exemplares

    Carpe Diem - Revista Cultural uma publicao da Escola Internacional Fundao Torino, produzida pelos alunos.Distribuio Gratuita.Laboratrio de Produo e Recepo de TextosRua Jornalista Djalma Andrade, 1.300Piemonte - Nova Lima - MG - BRASILtel: (31) 3289-4200www.fundacaotorino.com.br

    E-Mail:[email protected]

    Manh

    Deslumbro-mede imenso

    transposio criativa de Haroldo de Campos para a poesia de Giuseppe Ungaretti

    Presidente: Raffaele PeanoCnsul da Itlia: Bryan Bolasco

    Diretora Didtica - Parte Brasileira: Daniela MendesDiretor Didtico - Parte Italiana: Umberto Casarotti

    Carpe diem, quam minimum, credula posteroHorcio

    1: Capa2: Editorial/Index3: Cartas4: Pelo Mundo5: Entrevista 16: Entrevista 27: Entrevista 38: Clinamen 1: , morena9: Clinamen 2: GUi10: Clinamen 3: Anna Motta11: Clinamen 4 e Tarja Preta/Mateus12: Clinamen 5: novescola alternat13: Seo BH14: Opinio: Texto do Giu15: Texto do Peppe16: Poesias 117: Poesias 218: Perfil 119: Perfil 220: esthio21: Etimologia/CNoctem22: Recomenda 123: Recomenda 224: Tirinha25: Passatempo26: Seo Curinga27: Plunkt Plakt Zum!Pgina 28